O POBRE DE DIREITA
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| Imagem ilustrativa de um "POBRE DE DIREITA" |
O "pobre de direita": A quem a ideologia realmente serve?
O depois de conhecer o livro do sociólogo e professor Jessé Souza, que popularizou o termo "pobre de direita" para analisar um fenômeno intrigante na política brasileira e global, onde pessoas de baixa renda que, contrariando seus próprios interesses econômicos, apoiam ideologias, políticas e figuras políticas de direita. Em seu livro "A Classe Média e o Novo Brasil" e em outras obras, Souza argumenta que essa escolha não é um erro de cálculo, mas sim um reflexo de uma complexa manipulação que explora a psique e as dores sociais de uma parcela da população.
A "Guerra Moral" como Ferramenta de Manipulação
Percebes-se que Jessé Souza, em sua análise, desvia o foco do clássico embate econômico entre classes e o direciona para a chamada "guerra moral". Segundo ele, as elites não utilizam a economia para mobilizar o apoio das massas, mas sim a moralidade. O discurso foca em questões como meritocracia, honestidade e "valores de família", culpando o indivíduo por seu fracasso e não o sistema social.
Essa narrativa desvia a atenção das desigualdades estruturais e dos problemas causados pela concentração de renda e poder. Em vez de questionar a falta de oportunidades ou a exploração do trabalho, o pobre de direita é levado a acreditar que sua situação é resultado de suas próprias falhas ou da corrupção dos "políticos de esquerda" que "roubam" os recursos que deveriam ser usados para seu bem-estar.
A Humilhação Social e a Busca por Reconhecimento
Um dos pilares da teoria de Jessé Souza é a humilhação. Ele argumenta que, em uma sociedade baseada na ideologia da meritocracia, quem não alcança o sucesso é visto como preguiçoso ou "vagabundo". Essa estigmatização, que permeia a vida de milhões de pessoas nas periferias, gera um profundo sentimento de humilhação social.
É nesse ponto que a ideologia de direita entra em jogo. Ao focar em pautas morais e de segurança, a direita oferece ao pobre uma forma de reconhecimento social e pertencimento. A adesão a esses valores o eleva a um patamar de "homem de bem" ou "cidadão de bem", desvinculando-o da "massa de desqualificados" associada à esquerda.
Ao culpar a corrupção, a "ideologia de gênero" ou os "direitos humanos" pelos problemas sociais, o pobre de direita se sente parte de um grupo que luta por valores corretos, ganhando um senso de dignidade que a sociedade, muitas vezes, nega.
Conclusão: A Luta Onde a Batalha não está
Para Jessé Souza, o "pobre de direita" é uma prova de que a dominação de classe no Brasil é muito mais sofisticada do que se imagina. As elites, em vez de recorrerem à força, utilizam um discurso que é introjetado e absorvido pelas próprias classes dominadas.
O resultado é uma batalha que se dá no campo da moralidade e não no da economia. Enquanto os pobres de direita lutam contra inimigos imaginários criados para eles, as estruturas de poder e as desigualdades sociais permanecem intactas, perpetuando o ciclo de exploração e pobreza.
(Gilson Romanelli-Jornalista)

Grande Romanelli!! Sempre levando o cidadão a uma reflexão com seus artigos, muito bom.
ResponderExcluirQue prazer!! Identifique se por gentileza! Deixe seu nome e contato!
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